Cirurgia das amígdalas palatinas

A amigdalectomia é a cirurgia realizada para retirada das amígdalas palatinas, estruturas linfóides localizadas na parte lateral da garganta e que participam da defesa imunológica, principalmente na infância.

Apesar de exercerem função imunológica, em algumas situações as amígdalas tornam-se fonte recorrente de infecções ou obstrução respiratória, sendo indicada sua remoção cirúrgica.

Principais indicações da amigdalectomia

A cirurgia pode ser indicada em diversas situações, entre elas:

  • Infecções de garganta de repetição (amigdalites recorrentes)
  • Amígdalas muito aumentadas causando obstrução da via aérea
  • Ronco e apneia obstrutiva do sono
  • Dificuldade para respirar ou engolir
  • Formação frequente de cáseos (“bolinhas” com mau cheiro)
  • Abscesso periamigdaliano recorrente
  • Assimetria importante das amígdalas
  • Suspeita de lesões tumorais

Em crianças, uma das indicações mais comuns é o aumento importante das amígdalas associado ao ronco intenso e pausas respiratórias durante o sono.

Técnica cirúrgica

Amigdalectomia clássica extracapsular

É a técnica mais tradicional e amplamente realizada. Nela, a amígdala é retirada completamente junto de sua cápsula, através da dissecção do espaço entre a amígdala e a musculatura da garganta.

Principais características:

  • Remoção completa do tecido amigdaliano
  • Técnica bastante consolidada e eficaz
  • Menor chance de recidiva
  • Pode ser realizada com instrumentos frios ou eletrocautério
  • Excelente resultado em casos de infecção recorrente e apneia do sono

A cirurgia é feita sob anestesia geral, normalmente sem cortes externos, através da boca.

Amigdalectomia por Coblator

A técnica por coblação utiliza um equipamento de radiofrequência em plasma de baixa temperatura, conhecido como Coblator.

Esse sistema promove dissecção e coagulação simultaneamente, causando menor dano térmico aos tecidos adjacentes quando comparado ao eletrocautério convencional.

Possíveis vantagens:

  • Menor agressão térmica aos tecidos
  • Redução da dor no pós-operatório em alguns pacientes
  • Menor edema local
  • Recuperação potencialmente mais confortável
  • Menor sangramento intraoperatório

Entretanto, trata-se de uma técnica que envolve maior custo hospitalar devido ao material específico utilizado.

Principais aspectos do pós-operatório

O pós-operatório da amigdalectomia costuma exigir alguns cuidados importantes.

Dor

A dor de garganta é esperada e pode durar cerca de 7 a 14 dias. Também é comum dor irradiada para os ouvidos, devido à inervação compartilhada da região. O controle adequado da dor é fundamental para manter boa hidratação e alimentação.

Alimentação

Nos primeiros dias recomenda-se:

  • Dieta fria ou gelada
  • Alimentos pastosos e leves
  • Boa hidratação

Devem ser evitados:

  • Alimentos quentes
  • Comidas muito secas ou ásperas
  • Temperos excessivos

Placas esbranquiçadas

É normal surgir uma placa branca ou amarelada na região operada durante a cicatrização.
Isso não significa infecção, sendo parte natural do processo de recuperação.

Sangramento

O principal cuidado pós-operatório é o risco de sangramento. Ele pode ocorrer:

  • Nas primeiras horas após a cirurgia
  • Entre o 5º e 10º dia, período em que ocorre desprendimento das crostas cicatriciais

Qualquer sangramento pela boca deve ser avaliado imediatamente pelo médico ou serviço de emergência.

Recuperação

A recuperação varia de pessoa para pessoa, mas geralmente:

  • Crianças recuperam-se mais rapidamente
  • Adultos costumam apresentar mais dor e recuperação um pouco mais lenta
  • O retorno às atividades habituais costuma ocorrer em cerca de 10 a 14 dias

Perguntas frequentes sobre a cirurgia de amígdalas

“As amígdalas fazem falta para a imunidade?”

As amígdalas participam do sistema imunológico, principalmente na infância. Porém, quando estão causando infecções frequentes ou obstrução respiratória, os benefícios da cirurgia geralmente superam possíveis prejuízos imunológicos. O organismo possui diversos outros mecanismos de defesa.

“A cirurgia melhora o ronco e a apneia do sono?”

Sim, principalmente em crianças com amígdalas muito aumentadas. A retirada das amígdalas pode melhorar significativamente a passagem do ar durante o sono.

“Quem tem cáseo (caseum) pode precisar operar as amígdalas?”

Sim. O cáseo amigdaliano — também conhecido como “bolinhas” ou placas com mau cheiro — ocorre pelo acúmulo de resíduos alimentares, bactérias e células dentro das criptas das amígdalas.

Em muitos casos, o tratamento clínico e medidas de higiene conseguem controlar os sintomas. Porém, quando o cáseo é muito frequente, causa mau hálito importante, desconforto recorrente ou inflamações repetidas, a amigdalectomia pode ser indicada como tratamento definitivo.

Conclusão

A amigdalectomia é uma cirurgia segura e bastante eficaz quando bem indicada, podendo melhorar significativamente quadros de infecção recorrente, ronco, apneia do sono e obstrução respiratória. A escolha da técnica cirúrgica depende da avaliação individual de cada paciente, experiência do cirurgião e disponibilidade dos recursos hospitalares.

Portanto, a avaliação com o médico otorrinolaringologista é fundamental para definir a melhor abordagem e orientar adequadamente sobre os benefícios, riscos e recuperação do procedimento.

🥼 Sobre Mim

Dr. Eduardo Garcia

Médico Otorrinolaringologista formado pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica pelo renomeado Hospital CEMA e título de especialista pela ABORL-CCF. Possui pós-graduação em Cirurgia Plástica da Face, entregando um nível de excelência técnica, precisão e segurança em cada diagnóstico e procedimento cirúrgico.

Com mais de 15 anos de dedicação à medicina, o seu maior diferencial é o atendimento humanizado. Aborda clinicamente todas as áreas da otorrinolaringologia, com um foco cirúrgico especial em rinologia (cirurgias nasais), tratamentos para o ronco/apneia do sono e otorrinopediatria, ouvindo sempre o paciente com atenção e empatia.

Excelência clínica e cirúrgica com mais de 15 anos de experiência no cuidado da sua saúde auditiva e respiratória.

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