A uvulopalatofaringoplastia (UPFP) é uma cirurgia utilizada no tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) e do ronco. O objetivo do procedimento é ampliar o espaço da via aérea superior, reduzindo a obstrução causada pelo excesso de tecido na região do palato mole, úvula e faringe.
A cirurgia pode melhorar significativamente a qualidade do sono, reduzir o ronco e diminuir episódios de apneia em pacientes selecionados adequadamente.
Como é realizada a cirurgia?
A técnica consiste na remoção ou remodelamento de estruturas da garganta, incluindo:
- Parte da úvula
- Excesso de palato mole
- Tecidos laterais da faringe
- Eventualmente amígdalas, quando presentes e aumentadas
Atualmente, existem técnicas modernas que priorizam a remodelação e reposicionamento dos tecidos, buscando melhores resultados funcionais e menor desconforto pós-operatório.

Principais indicações
- Síndrome da apneia obstrutiva do sono leve a moderada
- Ronco importante associado à obstrução faríngea
- Pacientes com colapso predominante do palato mole
- Intolerância ou má adaptação ao CPAP
- Hipertrofia de amígdalas associada
- Alterações anatômicas da via aérea superior
Procedimentos que podem ser realizados simultaneamente
Muitos pacientes apresentam obstrução em diferentes níveis da via aérea. Por isso, a UPFP frequentemente é associada a outras cirurgias, como:
- Septoplastia (correção do desvio de septo)
- Turbinectomia ou turbinoplastia (redução dos cornetos nasais)
- Adenoidectomia
- Amigdalectomia
- Cirurgias de base de língua
- Procedimentos para avanço ou suspensão do palato
A associação de procedimentos pode melhorar significativamente os resultados respiratórios e a qualidade do sono.
Sintomas mais comuns:
- Dor de garganta importante nos primeiros dias
- Dificuldade para engolir
- Sensação de edema na garganta
- Alteração transitória da voz
- Mau hálito temporário
Tempo médio de recuperação:
- Retorno gradual às atividades: 7 a 14 dias
- Recuperação mais completa: cerca de 3 a 4 semanas
Durante o pós-operatório, recomenda-se hidratação adequada, alimentação mais fria e pastosa e uso correto das medicações prescritas.
Eficácia da cirurgia:
A eficácia depende principalmente da seleção adequada do paciente e do local predominante da obstrução.
Os melhores resultados geralmente ocorrem em pacientes:
- Com obstrução palatal predominante
- IMC não muito elevado
- Amígdalas aumentadas
- Apneia leve ou moderada
A cirurgia pode:
- Reduzir o ronco
- Diminuir o índice de apneia
- Melhorar a oxigenação noturna
- Melhorar disposição, sono e qualidade de vida
Em alguns casos, pode haver necessidade de tratamentos complementares, incluindo CPAP, perda de peso ou outras cirurgias.
Principais contraindicações
- Obesidade importante
- Apneia grave sem avaliação adequada
- Pacientes com múltiplos níveis de obstrução não tratados
- Doenças clínicas descompensadas
- Alterações neuromusculares importantes
- Expectativa irreal de cura absoluta
Considerações finais
A uvulopalatofaringoplastia pode ser uma excelente opção no tratamento da apneia obstrutiva do sono e do ronco em pacientes bem selecionados. Entretanto, cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, considerando anatomia, gravidade da apneia, peso corporal e outros fatores associados.
A definição do melhor tratamento depende de uma avaliação criteriosa realizada pelo médico.


