A sinusite crônica, também chamada de rinossinusite crônica, é uma inflamação persistente do nariz e dos seios da face que dura por mais de 12 semanas.
Os seios da face são cavidades ao redor do nariz responsáveis por:
- Auxiliar na respiração;
- Produzir muco;
- Umidificar o ar;
- Contribuir para a ressonância da voz.
Quando ocorre inflamação prolongada, há obstrução da drenagem natural dessas cavidades, acúmulo de secreção e manutenção do processo inflamatório.
A sinusite crônica pode ocorrer:
Principais sintomas da sinusite crônica
- Nariz entupido;
- Secreção nasal persistente;
- Catarro na garganta;
- Dor ou pressão facial;
- Redução do olfato;
- Mau hálito;
- Tosse crônica;
- Cefaleia;
- Sensação de peso na face;
- Crises recorrentes de sinusite.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia para sinusite crônica é indicada principalmente quando o tratamento clínico não proporciona melhora adequada. As principais indicações incluem:
- Sinusite crônica resistente ao tratamento medicamentoso;
- Polipose nasal;
- Sinusites recorrentes;
- Complicações orbitárias;
- Obstrução importante da drenagem dos seios da face;
- Infecções fúngicas;
- Mucocele;
- Necessidade de ampliar a ventilação dos seios da face.
O que é a FESS?

A sigla FESS significa Functional Endoscopic Sinus Surgery (Cirurgia Endoscópica Funcional dos Seios da Face. É a técnica cirúrgica moderna mais utilizada para tratamento da sinusite crônica. A cirurgia é realizada por dentro do nariz, utilizando:
- endoscópidos em várias angulações;
- instrumentos delicados, tais como shavers angulados.;
- sistemas de vídeo de alta definição.
Dessa forma ,o objetivo é restaurar a ventilação e drenagem natural dos seios da face, preservando ao máximo as estruturas saudáveis.
Como a cirurgia é realizada?
Durante a FESS, o cirurgião:
- Identifica as áreas obstruídas;
- Remove tecidos inflamados quando necessário;
- Amplia os canais naturais de drenagem;
- Remove pólipos nasais;
- Aspira secreções;
- Corrige alterações anatômicas associadas.
Em muitos casos, a cirurgia também é associada à:
- Septoplastia;
- Cirurgia dos cornetos (turbinectomia).
Isso melhora o acesso cirúrgico e otimiza a respiração nasal.
Navegação cirúrgica e cirurgia por vídeo
Atualmente, a FESS é realizada com auxílio de vídeoendoscopia de alta definição, proporcionando:
- Maior precisão;
- Melhor visualização anatômica;
- Menor trauma cirúrgico;
- Melhor controle do sangramento;
- Maior segurança.
Em casos complexos, pode-se utilizar ainda sistemas de navegação cirúrgica guiada por tomografia.
Quanto tempo dura a cirurgia?
A duração média da cirurgia varia entre 1 a 3 horas, sendo que o tempo depende de fatores como:
- Extensão da doença;
- Presença de pólipos;
- Revisões cirúrgicas;
- Quantidade de seios da face acometidos;
- Necessidade de cirurgias associadas.
Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Como é o pós-operatório?
O pós-operatório da FESS costuma ser bem tolerado. Nos primeiros dias é comum ocorrer:
- Sensação de nariz entupido;
- Pequeno sangramento;
- Secreção nasal;
- Formação de crostas;
- Pressão facial leve;
- Redução temporária do olfato.
Cuidados importantes:
- Lavagens nasais frequentes com soro fisiológico;
- Uso correto das medicações prescritas;
- Evitar esforço físico;
- Não assoar o nariz inicialmente;
- Comparecer às limpezas e retornos pós-operatórios.
O acompanhamento pós-operatório é extremamente importante para o sucesso da cirurgia.
Principais intercorrências da cirurgia
A FESS é considerada uma cirurgia segura quando realizada por equipe especializada, porém como qualquer procedimento cirúrgico possui riscos. As principais intercorrências incluem:
- Sangramento nasal;
- Formação de crostas;
- Infecção;
- Aderências internas;
- Persistência da sinusite;
- Recidiva de pólipos;
- Alterações temporárias do olfato.
Sangramento nasal
O sangramento atualmente costuma ser bem controlado graças a:
- Cirurgia assistida por vídeo;
- Eletrocautérios aspiradores modernos;
- Instrumentais delicados;
- Hemostáticos locais.
Isso reduziu significativamente a necessidade de tampões nasais desconfortáveis.
Curiosidades e dúvidas comuns
O sangramento atualmente costuma ser bem controlado graças a:
Sinusite crônica tem cura?
A cirurgia melhora muito a ventilação e drenagem dos seios da face, reduzindo crises e sintomas.
Entretanto, em alguns pacientes a sinusite é uma doença inflamatória crônica que necessita acompanhamento contínuo.
A cirurgia dói muito?
Normalmente não.
O mais comum é sensação de congestão nasal e pressão leve nos primeiros dias.
Vou ficar com tampão nasal?
Hoje muitos pacientes não necessitam de tampões nasais tradicionais graças ao avanço das técnicas endoscópicas e do controle moderno de sangramento.
Quando necessário, os tampões atuais costumam ser menores e mais confortáveis.
A sinusite pode voltar depois da cirurgia?
Sim, especialmente em pacientes com:
- Polipose nasal;
- Rinite alérgica importante;
- Asma;
- Doenças inflamatórias crônicas.
Por isso o acompanhamento com o otorrinolaringologista continua sendo fundamental.
A cirurgia deixa cicatriz?
Não.
A FESS é realizada totalmente por dentro do nariz, sem cortes externos na grande maioria dos casos.
Considerações finais
A cirurgia endoscópica funcional dos seios da face (FESS) representa um grande avanço no tratamento da sinusite crônica.
Por meio de técnicas minimamente invasivas e vídeoendoscopia, é possível restaurar a ventilação nasal e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Portanto, uma avaliação detalhada com o médico otorrinolaringologista é fundamental para definir o melhor tratamento.
Além disso, exames como nasofibrolaringoscopia e a tomografia computadorizada dos seios da face são essenciais para diagnóstico preciso, planejamento cirúrgico e segurança do procedimento. O tratamento individualizado e o seguimento pós-operatório adequado são fundamentais para alcançar os melhores resultados respiratórios e funcionais.


