O ronco é, historicamente, tratado como motivo de piada entre amigos ou como uma queixa exclusiva de quem divide a cama com o roncador. É comum ouvir histórias de casais que passaram a dormir em quartos separados para conseguir ter uma noite de paz.
No entanto, como otorrinolaringologista, preciso alertar: se você ronca alto todas as noites, o problema vai muito além do barulho. O ronco crônico é o sintoma mais visível — e audível — de que o seu corpo está lutando para respirar. Em muitos casos, ele é a ponta do iceberg de uma doença grave e silenciosa chamada Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS).
Quando dormimos, toda a musculatura do nosso corpo relaxa, incluindo os músculos da garganta, da língua e do palato (céu da boca). Em algumas pessoas, esse relaxamento é tão intenso, ou o espaço da via aérea é tão estreito (devido a desvios de septo, amígdalas grandes ou excesso de peso), que a passagem do ar fica espremida.
O ar é forçado a passar por esse canal estreito, fazendo as estruturas moles da garganta vibrarem. Essa vibração é o som do ronco.
O ronco significa que a via aérea está estreita, mas o ar ainda está passando. O problema se torna crítico quando essa via aérea se fecha completamente. É isso que chamamos de apneia.
A apneia é uma interrupção total da respiração que pode durar de 10 segundos a mais de um minuto. O cérebro, percebendo que o oxigênio no sangue está despencando, entra em pânico e emite um sinal de alerta, provocando um microdespertar. Você dá um “engasgo” ou um ronco muito alto, volta a respirar e adormece novamente.
O grande perigo? Isso pode se repetir dezenas ou até centenas de vezes em uma única noite, impedindo que você alcance o sono profundo e reparador (o sono REM).
Muitos pacientes não sabem que têm apneia porque não lembram dos engasgos durante a noite. Os sinais, na verdade, aparecem durante o dia:
Cansaço extremo: Você acorda sentindo que não dormiu nada ou que foi “atropelado”.
Sonolência diurna: Dificuldade para se manter acordado em reuniões, assistindo TV ou, perigosamente, ao dirigir.
Dor de cabeça matinal: Causada pelas oscilações de oxigênio no cérebro durante a noite.
Alterações de humor e memória: Irritabilidade fácil, falta de concentração e esquecimentos frequentes.
Boca muito seca ao acordar e necessidade de levantar várias vezes para urinar de madrugada.
A apneia do sono não tratada é uma verdadeira bomba-relógio para o sistema cardiovascular. Cada vez que a respiração para e o cérebro força o despertar, o seu corpo libera uma descarga de adrenalina. O coração acelera e a pressão arterial sobe.
Ao longo dos anos, submeter o seu coração a esse estresse noturno multiplica drasticamente o risco de Hipertensão (pressão alta), Arritmias, Infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC / Derrame).
O primeiro passo para voltar a dormir com qualidade e proteger a sua saúde é uma avaliação minuciosa da sua via respiratória. No nosso consultório no Paraíso, investigamos exatamente onde está o bloqueio (nariz, palato ou base da língua) através de exames precisos.
Em meus 15 anos de experiência, reforço que não existe um tratamento único para todos. A abordagem depende da gravidade da apneia e da sua anatomia:
Correções cirúrgicas: Se o problema for puramente anatômico (um desvio de septo severo, amígdalas gigantes ou carne esponjosa), cirurgias minimamente invasivas podem resolver o problema.
Aparelhos Intraorais: Moldes feitos sob medida (em parceria com dentistas) que avançam levemente a mandíbula para abrir espaço na garganta.
CPAP: O padrão-ouro para apneias moderadas e graves. É um aparelho pequeno e silencioso que envia um fluxo contínuo de ar, impedindo que a garganta se feche durante o sono.
[CTA] Dormir mal não é normal e o ronco não deve ser ignorado. Agende uma avaliação presencial no Paraíso, descubra o tratamento ideal para o seu caso e devolva anos de vida (e paz) para você e sua família.
Médico Otorrinolaringologista formado pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica pelo renomeado Hospital CEMA e título de especialista pela ABORL-CCF. Possui pós-graduação em Cirurgia Plástica da Face, entregando um nível de excelência técnica, precisão e segurança em cada diagnóstico e procedimento cirúrgico.
Com mais de 15 anos de dedicação à medicina, o seu maior diferencial é o atendimento humanizado. Aborda clinicamente todas as áreas da otorrinolaringologia, com um foco cirúrgico especial em rinologia (cirurgias nasais), tratamentos para o ronco/apneia do sono e otorrinopediatria, ouvindo sempre o paciente com atenção e empatia.