Ronco e apnéia são distúrbios do sono que estão relacionados com a passagem do ar pelas vias aéreas superiores. No ronco, ocorre vibração das estruturas e tecidos da orofaringe. Já na apnéia obstrutiva do sono ocorre a interrupção ou diminuição do fluxo de ar nas vias aérias superiores devido a um estreitamento da luz da faringe que pode ocorrer em diferente sítios.

Durante o sono, o tônus muscular do pescoço e da faringe diminuem. Isso causa um estreitamento do espaço faríngeo e o volume de ar necessário precisa ser inspirado a uma velocidade maior, ocorrendo a vibração de tecidos moles como palato mole, úvula, língua e outros. Essa vibração dos tecidos gera o som característico do ronco. Quando não é acompanhado de apnéia, o chamamos de ronco primário.
A apnéia obstrutiva do sono é a interrupção da respiração pelo fechamento da passagem do ar ao nível da faringe . A apnéia é geralmente caracterizada por eventos de pausas respiratórias que duram mais que 10 segundos e que são consideradas anormais quando ultrapassam a frequência de 5 por hora de sono. A apnéia obstrutiva do sono pode ser um distúrbio provocado por alterações anatômicas e pela diminuição de atividade dos músculos dilatadores da faringe .

Na criança a apnéia obstrutiva do sono  é diferente do adulto. Em geral, há alterações anatômicas, como o aumento das adenóides e amígdalas, que podem ser corrigidas com cirurgia. Em adultos, as alterações anatômicas podem não ser tão bem localizadas e fatores neuromusculares podem ter papel importante com ocorrem no envelhecimento e após a menopausa. Além disso, a obesidade é um fator que agrava o quadro da apnéia obstrutiva do sono. Essas alterações levam ao estreitamento das vias respiratórias superiores gerando as apnéias, ou pausas respiratórias.

O diagnóstico do Ronco e da Síndrome da apnéia obstrutiva do sono é feita pela Polissonografia (estudo do sono). A história clínica relatada pelo companheiro(a) ou familiares do paciente, também é fundamental no diagnóstico. Exames complementares como a nasofibrolaringoscopia e exames de imagem como a tomografia computadorizada de nariz e face são importantes na determinação dos possíveis locais de obstrução da via aérea.  Os sintomas mais frequentes da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono são: histórico de ronco alto, interrompido por paradas respiratórias durante o sono (observadas por quem convive com a pessoa) e hipersonolência diurna. Também podem ocorrer: sono agitado, aumento da frequência de urinar a noite, alterações de memória e raciocínio, e impotência sexual.

O tratamento do Ronco e da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono varia de acordo com a gravidade e intensidade do distúrbio constatado na Polissonografia. Nos casos de ronco primario e apnéia leve o tratamento é feito com medidas conservadoras higiene do sono, emagrecimento e aparelhos intraorais. Já nos casos moderados e graves estão indicados os aparelhos de pressão positiva (CPAP) e ,em alguns casos, o tratamento cirúrgico.

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Dr. Eduardo Garcia
CRM-SP 127.022