Respirar é uma função fisiológica tão importante que o mínimo obstáculo que dificulte o fluxo do ar pelas vias aéreas superiores provoca enorme desconforto.

A obstrução nasal pode ser provocada por doenças virais  como gripes, resfriados e  sinusites, ou por distúrbios estruturais, como por exemplo, o desvio do septo e  a presença de pólipos no nariz. Em geral, quando a causa é uma infecção por vírus, o incômodo é passageiro, mas pode ser persistente e progressivo nas rinites alérgicas e se houver uma barreira anatômica que impeça a passagem do ar.
Esse distúrbio pode acometer tanto as crianças quanto os adultos. Na infância, as causas mais frequentes são as rinites crônicas (a mais comum é a rinite alérgica) e a hipertrofia das adenoides. Causas menos comuns são as deformidades congênitas, como a atresia coanal e os desvios de septo.

Adultos com obstrução nasal provocada pelas rinites crônicas, alérgicas ou não, correm o risco de fazer uso abusivo de descongestionantes e criar dependência que envolve implicações perigosas, por causa da vasoconstrição que esses medicamentos provocam em todo o organismo.
A obstrução nasal pode ser provocada por vários mecanismos diferentes. O mais importante deles é a distensão da concha nasal causada por alterações da temperatura, pela presença de algum alérgeno ou, ainda, quando junto com o ar entra alguma impureza que poderia alcançar os pulmões. Nesse caso, a concha se distende numa reação fisiológica para tentar bloquear a passagem do corpo estranho. Ela aumenta de tamanho, incha, para proteger o organismo dessa agressão.

O desvio de septo nasal, que é a estrutura que divide a parte interna do nariz entre os dois lados, também pode ser causa de obstrução nasal. Pode ocorrer após um trauma com fratura do nariz. Nesse caso, a pessoa percebe que um dos lados do nariz está sempre obstruído ou que é mais difícil respirar por ele, e que isso ocorreu após o trauma. Em alguns casos, a pessoa apresenta desvio de septo, mas não se recorda de trauma no nariz. Nos casos de obstrução por desvio de septo nasal, as pessoas geralmente apresentam obstrução unilateral e constante, ou pelo menos com um dos lados sempre pior para respirar. Se o desvio for mesmo a principal causa da obstrução nasal, o tratamento é cirúrgico.
A hipertrofia de adenóides também pode ser uma das causas de obstrução nasal, mas é mais comum na infância. As adenóides (“carne esponjosa”) são estruturas que todos apresentam na parede posterior da rinofaringe, mas que, normalmente, só estão aumentadas de tamanho na infância. Em alguns casos o seu crescimento é tanto que pode impedir a passagem do ar do nariz para a garganta, e se essa obstrução for muito intensa a ponto de não permitir uma respiração nasal adequada, como roncos ou dificuldades respiratórias durante o sono, pode haver necessidade de cirurgia.

As malformações, ou seja, os defeitos na formação das estruturas da parte interna do nariz ou de qualquer estrutura do trajeto do ar, são causas mais raras de obstrução nasal, mas também devem ser lembradas. Podem ocorrer em qualquer área do nariz, como nas narinas, a parte mais anterior do nariz, ou internamente, na parte mais posterior do nariz, região chamada de coanas. As malformações podem também ser complexas, acometendo várias estruturas internas nasais. Nesses casos, como o defeito é congênito, a dificuldade respiratória já se apresenta desde o nascimento ou na infância.

Os tumores nasais, sejam eles benignos ou malignos, embora muito mais raros que as outras causas, também devem ser lembrados. No caso dos tumores, a história de obstrução é mais lenta, piorando progressivamente, e geralmente é unilateral, exceto se o tumor crescer muito ou se ele for localizado na rinofaringe. Também pode ocorrer sangramento nasal associado a obstrução nasal.
É importante que a pessoa que apresente obstrução nasal como um sintoma freqüente ou constante se consulte com um especialista para que seja realizado um exame adequado e iniciado o tratamento correto.

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Dr. Eduardo Garcia
CRM-SP 127.022